Reset atualiza o projeto do Chevette elétrico com baterias de Volvo XC90
Projeto de conversão avança com a adoção de três packs de células NMC reaproveitadas, mais compactas e leves que o sistema original Dong Feng. Com aproximadamente 20 kWh de capacidade, o Chevette elétrico deve ter autonomia de até 150 km.

O Chevette elétrico do Reset, projeto que acompanha a conversão de um clássico brasileiro para propulsão elétrica, acaba de receber uma atualização central. As baterias originalmente previstas, provenientes de um Dong Feng, eram pesadas, volumosas e utilizavam química de fosfato de ferro-lítio de eficiência limitada. A nova configuração adota três packs de bateria reaproveitados de um Volvo XC90 híbrido, com células de NMC e peso total de aproximadamente 50 quilos. A troca resolveu os problemas de espaço no cofre do motor e no porta-malas, além de prometer descarga elétrica muito superior à configuração anterior.
As células foram adquiridas por meio do Beco Diagonal, empresa que comercializa componentes de veículos acidentados ou desmontados. A unidade doadora rodou apenas 4.000 quilômetros antes do acidente, o que significa que o pack está praticamente novo. O sistema é composto por três módulos, cada um com 34 células, totalizando 102 células em série. A tensão nominal do conjunto gira em torno de 400 volts e a capacidade total é de aproximadamente 20 kWh. A composição química é NMC, que combina níquel, manganês e cobalto para oferecer densidade energética superior e capacidade de descarga elevada.
A estrutura original do Volvo é muito mais refinada do que a do Dong Feng. Os packs utilizam conectores flat e trilhas elétricas no lugar dos fios individuais da bateria anterior, além de incluírem sistema de refrigeração líquida com mangueiras e canais de água já integrados. O peso total dos três packs é de cerca de 50 quilos, contra 250 quilos do sistema anterior, o que alivia significativamente a traseira do Chevette e reduz o impacto na dirigibilidade.
Chevette elétrico com estrutura sob medida
A instalação exigiu a fabricação de uma estrutura de aço personalizada para manter os três módulos firmemente posicionados no porta-malas do Chevette. A equipe do Reset optou por barras de metalon e chapas de aço de 6 milímetros, soldadas diretamente às longarinas do carro. O conjunto forma uma base rígida onde os packs são aparafusados com inserts de rosca, garantindo que o sistema não se mova mesmo sob vibrações ou balanços laterais.
O posicionamento foi pensado para ocupar o mínimo de espaço possível no porta-malas, deixando área livre para um eventual segundo conjunto de baterias que dobraria a autonomia. Com a estrutura atual, os packs ficam próximos ao eixo traseiro, onde originalmente ficava o tanque de combustível, e ainda sobra espaço para os componentes eletrônicos de controle.
O que falta para o Chevette elétrico andar?
A equipe do Reset ainda precisa finalizar alguns componentes eletrônicos críticos. O carregador de bordo, que converte a tensão da tomada residencial para os 400 volts necessários à bateria, é uma unidade reaproveitada do Dong Feng e está em fase de testes. Um conversor DCDC fará o papel do alternador, mantendo a bateria auxiliar de 12 volts carregada para alimentar faróis, limpadores e painel. A VCU, o cérebro eletrônico que gerencia os sistemas do carro, e a BMS, que controla a carga e descarga das células com segurança, estão em fase de aquisição.
Os próximos passos envolvem a conexão dos packs à rede de alta tensão do carro, a instalação dos componentes de controle e a tentativa de colocar o sistema para funcionar com o carregador de bordo já disponível. O projeto avança em etapas e a comunidade que acompanha o canal Reset agora aguarda o momento em que o Chevette finalmente deixará de ser uma peça de oficina para rodar em vias públicas.




