Reset testa sistemas operacionais chineses: uma nova forma de usar Linux
Canal Reset instalou o Deepin 25 e o OpenKylin em um PC com RTX 5070 para avaliar se os sistemas chineses baseados em Linux são alternativas viáveis ao Windows

O canal Reset decidiu testar os dois principais sistemas operacionais desenvolvidos na China. Ambos são baseados no kernel Linux e têm como objetivo oferecer uma alternativa doméstica ao Windows e ao macOS. O Deepin é mantido pela empresa chinesa Wuhan Deepin Technology e usa o Debian como base. O OpenKylin é um projeto comunitário com participação governamental que promete suporte a múltiplas arquiteturas, incluindo x86, ARM e RISC-V.
A instalação foi feita em um PC com placa de vídeo RTX 5070. Os dois sistemas foram gravados em pen drives e inicializados a partir da BIOS.
Deepin 25: interface polida, jogo rodando e driver resolvido no terminal
O Deepin é uma distribuição que existe desde 2004 e passou por várias versões. A versão testada foi a Deepin 25, que traz o ambiente de desktop DDE (Deepin Desktop Environment) e promete uma interface moderna e intuitiva. A instalação inicial apresentou problemas com a placa de vídeo da série RTX 50, que causaram telas pretas e travamentos. A solução foi inicializar o instalador sem o driver de vídeo e instalá-lo depois.
Após a instalação, o sistema iniciou em português do Brasil, com a opção de escolher entre modos de interface centralizado ou clássico. O assistente de configuração ofereceu a instalação de aplicativos de comunicação, como WhatsApp e Zoom, por meio da loja integrada.
O Deepin reconheceu o monitor 4K e a taxa de atualização de 120 Hz. A interface é bastante similar à do Windows 11, com a barra de tarefas centralizada e o menu iniciar no centro. Há também semelhanças com o macOS, como o recurso de gravação de área específica da tela.
O sistema inclui aplicativos nativos como o Deepin Chat, um assistente de IA similar ao ChatGPT, e o Killing Code, um editor de código que lembra o Visual Studio Code. A loja de aplicativos tem Steam, Chrome, calculadora, bloco de notas e player de música.
O teste com Counter-Strike foi o ponto alto. Com o driver da NVIDIA instalado, o jogo rodou a 230 FPS em qualidade alta, sem glitches e com o smoke e o fogo renderizados corretamente. O uso de placa de vídeo ficou em 98% e o processador em 34%. A experiência foi considerada fluida e próxima do que se teria no Windows.
O Deepin também suporta aplicativos Android nativamente, o que amplia o leque de opções para o usuário. A navegação na internet com o Chrome foi tranquila, e o YouTube rodou sem problemas.
OpenKylin: travamentos, tradução ruim e Steam não funciona
O OpenKylin é um sistema desenvolvido por uma comunidade com apoio do governo chinês. Ele promete suporte a múltiplas arquiteturas e uma experiência de usuário estável. A instalação foi feita a partir do pen drive, sem necessidade de instalar no disco rígido. O sistema reconheceu a placa de vídeo e subiu com a resolução correta.
A interface é claramente inspirada no Windows, com a barra de tarefas na parte inferior e o menu iniciar no canto esquerdo. A semelhança com o Windows 10 é evidente. No entanto, a tradução para o português é falha. Muitos menus e aplicativos permanecem em chinês, e o instalador exibe termos que não foram traduzidos.
O OpenKylin vem com aplicativos como WPS Office, Firefox e um console de terminal. A loja de aplicativos é confusa e não traduzida. O sistema também tem um recurso de biometria, mas o testador optou por não configurá-lo.
O problema mais grave foi a instabilidade. O sistema travou várias vezes durante a navegação e a instalação de aplicativos. A Steam não instalou pela loja e precisou ser baixada pelo terminal com o auxílio do Flatpak. Mesmo assim, o jogo travou repetidamente ao compilar shaders. O processo levava de 20 a 30 minutos e terminava em erro.
A navegação na internet funcionou bem, e o YouTube rodou sem problemas. O uso de memória e processador ficou dentro do esperado para um sistema Linux. Ainda assim, os travamentos constantes tornaram a experiência inviável para o uso diário.
A questão da privacidade e da espionagem
Gustavo fez diversas brincadeiras sobre a possibilidade de os sistemas chineses espionarem o usuário. Ele mencionou que não forneceu biometria nem íris ao sistema e que evitou logar contas pessoais. No entanto, ele citou um teste do canal Diolinux, que monitorou o tráfego de rede do Deepin e não encontrou comunicação suspeita com servidores chineses. O sistema se comunica com servidores do Ubuntu, o que é comum em distribuições baseadas em Debian.
A conclusão é que, apesar das brincadeiras, não há evidências de que os sistemas sejam invasivos. Ainda assim, o testador recomenda cautela e sugere evitar o armazenamento de dados sensíveis em sistemas de origem desconhecida.
Veredito: Deepin é uma opção viável, OpenKylin não
O Deepin 25 se mostrou um sistema bem construído, com interface polida, boa tradução para o português e desempenho satisfatório em jogos. A instalação exigiu ajustes por causa da placa de vídeo, mas o problema foi resolvido. Para quem busca uma alternativa ao Windows com foco em usabilidade, o Deepin é uma opção a considerar.
O OpenKylin, por outro lado, não está pronto para o uso diário. Os travamentos constantes, a tradução incompleta e a dificuldade para instalar aplicativos tornam a experiência frustrante. O sistema pode ser útil para testes e desenvolvimento, mas não para produtividade ou jogos.
Tutorial: como testar o Deepin e o OpenKylin no seu PC
Se você quer experimentar os sistemas chineses sem comprometer a instalação do seu computador, siga os passos abaixo.
O que você vai precisar
- Um pen drive de pelo menos 8 GB
- O arquivo ISO do sistema (disponível nos sites oficiais do Deepin e do OpenKylin)
- Um programa para gravar a ISO no pen drive, como o Rufus, o Balena Etcher ou o Ventoy
- Um PC com placa-mãe que permita inicializar a partir de um pen drive USB
Passo 1: baixar a ISO
Acesse o site oficial do Deepin (deepin.org) ou do OpenKylin (openkylin.top) e baixe a imagem ISO da versão mais recente. O Deepin 25 tem cerca de 4 GB, e o OpenKylin tem tamanho similar.
Passo 2: gravar o pen drive
Conecte o pen drive ao computador e abra o programa de gravação. Selecione a ISO baixada e o pen drive como destino. Aguarde o processo terminar. O pen drive será formatado, então certifique-se de que não há dados importantes nele.
Passo 3: inicializar pelo pen drive
Reinicie o computador e entre na BIOS ou no menu de boot. A tecla varia conforme o fabricante (geralmente F2, F12, DEL ou ESC). Selecione o pen drive como dispositivo de inicialização.
Passo 4: testar sem instalar
Tanto o Deepin quanto o OpenKylin oferecem a opção de rodar o sistema diretamente do pen drive, sem instalar no disco rígido. Escolha a opção “Try Deepin” ou “Live Session” no menu de inicialização. Assim, você pode explorar a interface e testar os aplicativos sem risco.
Passo 5: resolver o problema do driver de vídeo (Deepin)
Se você tem uma placa NVIDIA da série RTX 50, o instalador pode travar com tela preta. Para evitar isso, selecione a opção de inicialização sem driver de vídeo (geralmente chamada de “Safe Graphics” ou “nomodeset”). Após a instalação, abra o terminal e execute os comandos para instalar o driver da NVIDIA. No Deepin, o comando é:sudo apt update && sudo apt install nvidia-driver
Reinicie o sistema após a instalação.
Passo 6: instalar a Steam (Deepin)
A loja de aplicativos do Deepin tem a Steam disponível. Se a instalação falhar, abra o terminal e instale o Flatpak:sudo apt install flatpak
Depois, adicione o repositório Flathub e instale a Steam:flatpak install flathub com.valvesoftware.Steam
Passo 7: instalar a Steam (OpenKylin)
No OpenKylin, a loja não funciona bem. Abra o terminal e instale o Flatpak. Em seguida, instale a Steam pelo Flathub. Esteja preparado para travamentos e erros durante a compilação de shaders.
Passo 8: explorar e comparar
Use o sistema por algumas horas. Teste a navegação, a instalação de aplicativos, a reprodução de vídeos e, se possível, um jogo. Compare a experiência com a do seu sistema atual. Se gostar, você pode optar por instalar o sistema no disco rígido ou em uma máquina virtual.
Dica final
Se você não tem um PC sobrando, pode testar os sistemas em uma máquina virtual com o VirtualBox ou o VMware. O desempenho será inferior ao de uma instalação nativa, mas é suficiente para conhecer a interface e os aplicativos.




