Reset avança na fiação do Chevette elétrico
Projeto avança com central nacional, cabos industriais adaptados e reaproveitamento de peças do Dong Feng. BMS é a última peça que falta para energizar o sistema.

O projeto do Chevette elétrico entrou na fase de cabeamento de potência. No feriado, a equipe do Reset dedicou mais de doze horas para passar os cabos de alta tensão do compartimento do motor até a traseira do carro, onde ficará a caixa de distribuição que gerencia os 400 volts das baterias da Volvo. O episódio também apresentou os novos componentes eletrônicos que serão o cérebro e o painel de instrumentos do veículo, incluindo uma central de gerenciamento fabricada no Brasil.
A central brasileira que vai comandar o Chevette elétrico
Um dos destaques dessa fase é a chegada da FT 450, central eletrônica fabricada pela Fiotec, empresa brasileira que nasceu de um projeto de faculdade e hoje equipa carros de competição. A unidade foi escolhida para ser a VCU do Chevette, responsável por gerenciar o acelerador eletrônico, a distribuição de energia e a comunicação com os demais componentes. A equipe explicou que a linha Vision, mais robusta, seria ideal para uma segunda fase do projeto, mas ainda não tem software preparado para veículos elétricos. A FT 450, adquirida por cerca de R$ 700, controlará também o painel digital Ghost Dashboard, que substituirá o quadro de instrumentos original do Chevette.
O Ghost Dashboard é um painel digital compatível com qualquer carro e, na configuração atual, será gerenciado pela FT 450. A equipe estuda instalá-lo atrás do painel original, mantendo a aparência externa do Chevette. A Fiotec também fornecerá o protocolo de comunicação necessário para integrar todos os periféricos.
Workshop de veículos elétricos na Eforce
Dias 30 e 31 de maio, vai rolar um workshop de manutenção de veículos elétricos lá na E-Force. Quem participar, ainda ganha um desconto pro curso que a equipe vai fazer. O evento abordará conceitos básicos, diagnóstico e reparo de sistemas de alta tensão. Segue o pessoal da E-Force na Instagram para mais informações!
Caixa de tensão do Chevette elétrico e próximos passos
A passagem dos cabos foi o grande desafio físico do dia. A equipe utilizou cabos de cobre de 75 mm², com terminais olhal de 50 mm adaptados no esmeril para entrar nos conectores. Os cabos, originalmente destinados a aplicações industriais, são mais rígidos que os cabos automotivos, o que dificultou o manuseio. A solução de roteamento foi passar os dois cabos principais por dentro da longarina do Chevette, aproveitando um vinco na estrutura que oferece proteção contra impactos e lombadas.
Os conectores foram reaproveitados do inversor do Dong Feng. A equipe descobriu que o mecanismo de fixação dos pinos é desmontável: basta soltar um parafuso allen central e a carcaça vai subindo, liberando o pino. Isso permitiu que os terminais novos fossem instalados nos conectores originais, economizando peças que seriam difíceis de encontrar no mercado e provavelmente caras.
O Dong Feng, que parecia não doar quase nada além do carregador de bordo, acabou contribuindo mais do que o esperado. A caixa de distribuição de alta tensão do carro doador foi desmontada e limpa para ser reutilizada no Chevette. Ela concentrará a entrada de energia das baterias, a distribuição para o inversor, o carregador de bordo e o conversor DCDC, além de abrigar fusíveis e contatores de segurança.
Com os cabos de potência instalados, o próximo marco é a chegada da BMS que está sendo enviada pelo fornecedor chinês. Quando o sistema de gerenciamento de bateria chegar, a equipe poderá finalizar as conexões internas da caixa de alta tensão e, pela primeira vez, considerar energizar o sistema. A central Fiotec e o Ghost Dashboard também precisam ser integrados, e a equipe pretende fazer os chicotes menores nos horários vagos entre as gravações.




