Tim Cook deixa cargo de CEO da Apple
Sucessor John Ternus, vice-presidente sênior de engenharia de hardware, herda um império de três trilhões de dólares construído sobre a eficiência operacional de Cook.

A Apple confirmou oficialmente que Tim Cook deixou o cargo de CEO da empresa. A saída encerra um dos capítulos mais longevos e financeiramente bem-sucedidos da história corporativa moderna, iniciado em agosto de 2011, quando Cook assumiu o leme de uma Apple ainda profundamente associada à figura mítica de Steve Jobs. Diferentemente de seu antecessor, Cook não era um showman. O foco da sua gestão foram outros: a da logística, do controle de custos obsessivo e da construção de uma cadeia de valor tão eficiente que transformou a Apple. Tim Cook construiu a estrutura que os entregou a centenas de milhões de pessoas, ano após ano, com margens de lucro que desafiavam as leis da gravidade do varejo de eletrônicos.
O legado de Tim Cook na Apple
Sob sua gestão, a Apple passou de uma empresa avaliada em aproximadamente 350 bilhões de dólares para a primeira companhia do planeta a cruzar a barreira do trilhão e, posteriormente, dos três trilhões de dólares em valor de mercado. O primeiro grande teste de sua liderança veio com o iPhone 5 e, posteriormente, com o iPhone 6. Foi Cook quem escalou a produção do smartphone para atender a uma demanda global que Jobs considerava impossível de ser satisfeita. Ele expandiu agressivamente os mercados da China e da Índia, costurou acordos com operadoras em dezenas de países e, crucialmente, construiu uma relação simbiótica com os fornecedores asiáticos que permitiu à Apple ditar os termos da indústria de componentes. O resultado foi uma década de lançamentos anuais que, embora criticados por alguns como iterativos em vez de revolucionários, estabeleceram um ritmo de receita previsível que os acionistas passaram a adorar.
O segundo pilar do legado de Cook foi a diversificação para além do iPhone. Ciente de que nenhum produto dura para sempre no topo, ele supervisionou o nascimento e a maturação de duas novas categorias de bilhões de dólares. O Apple Watch, lançado em 2015, deixou de ser um acessório de luxo para se tornar uma plataforma de saúde e fitness que domina o mercado de smartwatches com uma participação que os concorrentes não conseguem ameaçar. Os AirPods, por sua vez, redefiniram o mercado de áudio pessoal e se tornaram um fenômeno cultural. Mais importante ainda, Cook arquitetou a transição da Apple para uma empresa de serviços. Apple Music, iCloud, Apple Pay, Apple TV+ e a própria App Store formam hoje um colosso de receita recorrente que protege os resultados da companhia contra a sazonalidade e a saturação do mercado de hardware.
Sai Tim Cook, entra John Ternus
O escolhido para suceder Cook é John Ternus, até então vice-presidente sênior de engenharia de hardware. A escolha sinaliza uma mudança de ênfase na liderança da Apple. Enquanto Cook era um mestre das operações, Ternus é um engenheiro por formação e vocação. Ele ingressou na Apple em 2001 e construiu sua reputação dentro da companhia como o arquiteto técnico por trás da transição mais arriscada e bem-sucedida da história recente do Mac: o abandono dos processadores Intel em favor dos chips proprietários Apple Silicon.

O projeto, que culminou no lançamento do chip M1 e seus sucessores, foi uma aposta de bilhões de dólares que exigiu coordenação milimétrica entre as equipes de design de semicondutores, engenharia de software e manufatura. O sucesso da empreitada não apenas restaurou a vantagem competitiva dos Macs em desempenho e eficiência energética, como também provou que Ternus era capaz de liderar projetos de complexidade.
Tim Cook deixa a empresa em uma posição de força financeira sem precedentes. Seu sucessor herda um colosso de receita, uma base de clientes leal e uma cultura de excelência em engenharia. O desafio de Ternus será transformar essa herança em novos produtos que capturem a imaginação do público com a mesma intensidade que o iPhone capturou há quase duas décadas. A Apple que Cook construiu é uma fortaleza. A Apple que Ternus liderará precisará provar que ainda sabe conquistar novos territórios.




