Reset consegue ativar carregador de bordo do Chevette elétrico com Arduino
Junto com a eForce, equipe utilizou módulo CAN e placa Arduino para estabelecer comunicação com o componente reaproveitado do Dong Feng. Carregador respondeu aos comandos e iniciou a recarga das baterias de Volvo.

O projeto do Chevette elétrico avançou em uma frente crucial junto com a equipe da eForce: a validação do carregador de bordo. O componente, reaproveitado do Dong Feng, é responsável por converter a corrente alternada da tomada residencial em corrente contínua de alta tensão para recarregar as baterias. Uma unidade nova no mercado custa cerca de R$ 10 mil, valor que a equipe do Reset queria evitar a qualquer custo. O teste, que combinou 12 volts, comunicação CAN e um Arduino, terminou com o carregador ligado e a tensão subindo nas baterias.
Reset ativa um carregador sem o carro original
Carregadores de bordo modernos não funcionam simplesmente conectando-os à tomada. Eles esperam comunicação com a central eletrônica do veículo por meio de uma rede CAN, protocolo que gerencia todos os periféricos do carro. Sem o sinal correto, o dispositivo entra em modo de proteção e se recusa a liberar os 400 volts de saída. A equipe do Reset consultou a FioteC, empresa de engenharia que trabalha com sistemas de eletrificação, e obteve a informação de que o carregador do Dong Feng opera com protocolo padrão, e que o comando de habilitação poderia ser enviado via CAN com os parâmetros corretos.
Na primeira tentativa, aplicaram apenas 12 volts ao pino de enable e alimentaram a entrada com tensão da tomada. O carregador ligou, emitiu sinais luminosos, mas não liberou tensão na saída. O LED piscava vermelho e verde, indicando falha de comunicação. A conclusão foi clara: o dispositivo exige o protocolo CAN para iniciar a recarga, e não apenas um sinal de 12 volts.
Solução para o Chevette elétrico: Arduino e módulo CAN
A equipe conectou um módulo MCP2515 a um Arduino para injetar quadros CAN no barramento do carregador. Com o monitor serial, passaram a receber dados do dispositivo e a testar comandos. O carregador respondeu transmitindo quadros CAN de volta, o que já era um bom sinal. Consultando a tabela de identificadores do protocolo, enviaram o comando de carga com parâmetros de 320 volts. O carregador aceitou o comando, mas ainda não liberava tensão na saída.
O que faltava era uma carga real. O carregador precisava detectar uma bateria conectada para iniciar a recarga. Tentativas com lâmpadas e capacitores falharam porque o sistema identifica a ausência de uma carga compatível e entra em proteção. A solução veio ao conectar diretamente as baterias de Volvo do Chevette na saída do carregador. Com o comando CAN enviado e a carga real presente, o dispositivo finalmente iniciou a recarga: a tensão começou a subir no multímetro e o LED indicou status de carregamento.
O teste validou que ambos os carregadores de bordo do Dong Feng estão funcionais. Como cada unidade entrega 3,3 kW, a equipe agora pode instalar os dois em paralelo e somar 6,6 kW de potência de recarga, o que reduz significativamente o tempo de recarga das baterias. Sem BMS no momento do teste, a recarga foi mantida sob supervisão constante para evitar desbalanceamento das células, e a equipe já trabalha na aquisição do sistema de gerenciamento de bateria para a próxima etapa.




