DLSS5 vaza antes do lançamento oficial e canal Reset testa tecnologia
Arquivo de 158 MB encontrado na pré-venda de NBA 2K27 permitiu que o canal Reset ativasse o Neural Rendering do DLSS5 em diversos jogos antes do lançamento oficial

A comunidade de modders saiu na frente da NVIDIA. Dias antes do lançamento oficial do DLSS5, previsto para 3 de setembro de 2026 com NBA 2K27, um arquivo de 158 MB com a tecnologia Neural Rendering vazou do pacote de pré-venda do jogo. Em poucas horas, a comunidade já havia adaptado o arquivo para funcionar em dezenas de títulos, e o canal Reset foi descobrir como funcionava isso aí.
A equipe aplicou o DLSS5 em Cyberpunk 2077, Grand Theft Auto V e 007 First Light, entre outros jogos, e documentou os resultados em um teste detalhado. O resultado é uma prévia do que a NVIDIA promete como o maior salto em gráficos desde o ray tracing — mas também uma amostra das controvérsias que a tecnologia pode gerar.
O que é o DLSS5 e como ele funciona
O DLSS5 é a quinta geração da tecnologia de upscaling da NVIDIA, mas sua abordagem é radicalmente diferente das anteriores. Enquanto as versões passadas analisavam uma imagem existente e geravam quadros adicionais por IA, o DLSS5 vai além: ele usa um modelo de IA para “infundir” pixels com iluminação fotorrealista e materiais que não estavam presentes na renderização original. A tecnologia recebe o nome de “3D-Guided Neural Rendering” e foi descrita pela NVIDIA como a maior revolução em gráficos desde a introdução do ray tracing em tempo real em 2018.
Na prática, o DLSS5 não se limita a melhorar a resolução ou a suavizar bordas. Ele reinterpreta cenas inteiras, adicionando sombras, reflexos e detalhes de pele que não existiam no jogo original. O resultado é um visual mais realista — mas também mais artificial, dependendo do ponto de vista.
Os testes do canal Reset
O vazamento ocorreu porque o arquivo do DLSS5 estava presente no pacote de pré-venda de NBA 2K27, mesmo antes do jogo ser liberado para jogadores. Modders do canal RenoDX no Discord extraíram o arquivo e rapidamente criaram ferramentas para aplicá-lo em outros jogos. O canal Reset utilizou uma dessas ferramentas para testar o DLSS5 em diferentes títulos, rodando os jogos em uma RTX 5070.
Os testes revelaram tanto o potencial quanto os problemas da tecnologia. Em GTA V, o efeito foi descrito como transformador: os reflexos dos carros, a iluminação dos postes e as texturas dos personagens ganharam uma nova camada de realismo. Em Cyberpunk 2077, os detalhes da pele, como sardas e poros, ficaram mais nítidos. Em 007 First Light, no entanto, o efeito foi mais sutil e, em alguns casos, fez os personagens parecerem mais velhos.
O desempenho também foi um ponto de atenção. Durante os testes do Reset, o DLSS5 tornou o Cyberpunk 2077 mais pesado, com impacto perceptível na fluidez. Relatos da comunidade indicam que a tecnologia pode reduzir o FPS pela metade em alguns cenários, o que explica por que a demonstração oficial da NVIDIA na GTC 2026 exigiu duas RTX 5090 trabalhando em conjunto.
A polêmica das faces: “harmonização facial” ou “AI slop”?
A controvérsia mais quente em torno do DLSS5 não é sobre desempenho, mas sobre a aparência dos personagens. Quando ativado, o DLSS5 pode alterar traços faciais de forma significativa, adicionando sombras, suavizando rugas ou até mudando a expressão dos personagens. O efeito foi comparado a uma “harmonização facial” forçada — e não agradou a todos.
Em Final Fantasy VII Rebirth, o protagonista Cloud apareceu com feições mais suaves, o que levou alguns a especular que a IA o interpretou como um rosto feminino. Em Resident Evil Requiem, a personagem Grace teve sua aparência alterada de forma que o produtor do jogo considerou contrária à intenção original dos desenvolvedores. A reação nas redes sociais foi imediata, com memes chamando o efeito de “yassified graphics” e críticas de que a tecnologia remove a personalidade dos personagens.
A resposta da NVIDIA: controle nas mãos dos desenvolvedores
A NVIDIA respondeu às críticas com uma explicação detalhada do funcionamento do DLSS5 e uma promessa: a tecnologia não vai mudar as características feitas pelos artistas sem o controle dos desenvolvedores. Segundo a empresa, o DLSS5 oferece ferramentas completas para que os estúdios ajustem e refinem onde e como a IA deve atuar. A NVIDIA também esclareceu que o DLSS5 atua apenas em quadros 2D renderizados, e não na geometria 3D original dos personagens. O problema, segundo a empresa, está nos dados de treinamento da IA, que podem gerar resultados indesejados em certos contextos.
A estreia oficial do DLSS5 acontece em NBA 2K27, a partir de 3 de setembro de 2026. O jogo é o primeiro a receber suporte nativo à tecnologia, que estará disponível para todas as GPUs da série RTX 50. A NVIDIA também confirmou que DLSS5 chegará a outros títulos no outono de 2026. O primeiro jogo a receber suporte nativo à tecnologia é NBA 2K27, e a lista de títulos compatíveis deve crescer nos próximos meses.
O DLSS5 já está disponível para todos os usuários de GPUs RTX 50 por meio de NBA 2K27. A tecnologia também pode ser testada em outros jogos por meio das ferramentas da comunidade, como o DLSS5 Swapper, disponível no GitHub. O arquivo vazado funciona em GPUs RTX 20, 30, 40 e 50, mas o desempenho pode variar significativamente. Jogos com suporte nativo ao DLSS5 devem oferecer a melhor experiência, com otimização adequada e controle sobre os efeitos visuais. O canal Reset, que conduziu os testes em Cyberpunk 2077, GTA V e 007 First Light com uma RTX 5070, recomenda cautela ao instalar a versão da comunidade, especialmente em jogos com modo online, devido ao risco de incompatibilidades.




