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Macbook Neo muda o cenário de notebooks

Com chip de iPhone, preço agressivo e desempenho que envergonha processadores de desktop, o Mac de entrada da Apple chega bem na crise que afeta as fabricantes de PCs

O mercado de notebooks recebeu um candidato muito forte: O Macbook Neo. Se quem gostaria de trabalhar e ter um pouco mais de poder de processamento precisaria recorrer a um notebook gamer, agora pode focar no modelo de entrada da Apple. A gigante do vale do silício lançou o MacBook Neo com um preço agressivo de US$ 599 (R$ 7.299 no Brasil) e, em poucas semanas, esgotou o estoque da própria loja online, com entregas agora só para maio. Mas o que torna esse lançamento tão desestabilizador para as fabricantes de PCs não é apenas o valor baixo para um Mac. É a combinação de um chip de iPhone rodando macOS com um contexto global de escassez de componentes que a Apple, com seu poder financeiro, conseguiu contornar melhor que qualquer concorrente.

O cenário atual é de pesadelo para quem fabrica notebooks com Windows ou Linux. A indústria de tecnologia mergulhou de cabeça na inteligência artificial e, com isso, data centers estão sugando a produção mundial de memória RAM. A OpenAI, sozinha, tem um acordo para comprar 40% do fornecimento global de RAM até depois de 2027. A Micron, uma das três grandes fabricantes, abandonou o mercado consumidor para focar exclusivamente em IA e clientes corporativos. O resultado prático é uma inflação silenciosa nos preços de qualquer dispositivo que use memória. A Microsoft, por exemplo, subiu o preço do Surface 7 de US$ 999 para US$ 1.499, e mesmo os modelos de entrada saltaram de US$ 799 para US$ 1.049. Enquanto isso, a Apple tem capital para garantir seus próprios estoques. E mais: ao usar apenas 8 GB de memória unificada, que a empresa afirma ser o equivalente a 16 GB em PCs, o que reduz ainda mais dependência do componente mais escasso do momento.

Macbook Neo ainda traz estilo para a rotina

Macbook Neo: O pequeno poderoso

As especificações do MacBook Neo deixam claro que a Apple não está mirando no usuário que edita vídeos em 8K ou renderiza cenas 3D complexas. O coração da máquina é o chip A18 Pro, o mesmo que equipa os iPhones 16 Pro, com CPU de 6 núcleos, GPU de 5 núcleos e um Neural Engine de 16 núcleos para tarefas de inteligência artificial. A tela é uma Liquid Retina de 13 polegadas com resolução de 2408×1506 pixels e 500 nits de brilho, compatível com um bilhão de cores. A bateria promete até 16 horas de streaming de vídeo, e a conectividade se resume a duas portas USB-C, sendo uma delas USB 3 com velocidade de até 10 Gb/s e compatibilidade com monitor externo 4K a 60 Hz. O corpo é de alumínio, o teclado é o Magic Keyboard com Touch ID, e o trackpad Multi-Touch mantém o padrão Apple. É uma máquina pensada para estudar, navegar, escrever, assistir a vídeos e executar tarefas leves de produtividade.

O que realmente complica a vida dos concorrentes é o desempenho desse chip “de celular” quando colocado lado a lado com processadores tradicionais de notebooks Windows. Em testes de núcleo único no Cinebench 2024, o MacBook Neo alcançou 147 pontos, superando CPUs de alto desempenho como o AMD Ryzen 9 9950X (139 pontos) e o Intel Core Ultra 9 285HX (135 pontos). No Geekbench 6, a máquina registrou 3.319 pontos em single-core, superando até mesmo o M3 do MacBook Air, que custa quase o dobro. Esse tipo de desempenho se traduz diretamente em fluidez para as tarefas cotidianas: navegador, e-mail, planilhas, edição leve de fotos e vídeos. Em testes de stress, o MacBook Neo chegou a abrir 60 aplicativos simultâneos e continuou rodando sem travamentos, enquanto um notebook Windows com especificações superiores simplesmente desligou ao tentar a mesma façanha.

No fim das contas, o MacBook Neo não é o notebook mais rápido do mercado, nem o mais expansível, nem o que tem a melhor tela. Mas ele chega em um momento em que os concorrentes estão sendo espremidos pela crise da RAM e pela alta do dólar, oferecendo uma experiência premium por um preço de entrada. Para o estudante que quer um Mac sem pensar em gastar mais que R$10k para isso, para o profissional que só precisa de um segundo computador confiável, ou para qualquer pessoa que valorize construção em alumínio, teclado de qualidade e um sistema que simplesmente funciona, o Neo é uma escolha difícil de bater. E enquanto a Apple continuar vendendo cada unidade que consegue fabricar, as fabricantes de PCs terão que se reinventar na crise ou aceitar que perderam mais uma fatia do mercado.

Fonte
BGR

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