DDR6 entra em desenvolvimento com o dobro da velocidade da DDR5, mas chega só em 2028
Samsung, SK Hynix e Micron já trabalham nos primeiros protótipos da nova geração de memória. Especificação ainda não foi finalizada pela JEDEC, mas demanda de servidores de IA acelera os esforços da indústria.
A indústria de memória deu o pontapé inicial no desenvolvimento da DDR6, a próxima geração do protocolo que equipará computadores e servidores. Samsung Electronics, SK Hynix e Micron, as três maiores fabricantes de chips de memória do mundo, já compartilharam seus projetos com fabricantes de substrato, que agora estão construindo protótipos iniciais e executando testes de verificação. A adoção comercial da DDR5 começou em 2021 e ainda está em plena expansão, mas o ciclo de desenvolvimento de uma nova geração de memória exige anos de antecedência.
A DDR6 deve mais do que dobrar as taxas de transferência de dados da DDR5, que atualmente atinge no máximo 8,4 Gbps. O salto de velocidade permitirá melhor desempenho em cargas de trabalho intensas, especialmente em inteligência artificial e computação de alto desempenho. O avanço, porém, traz desafios técnicos que exigem a participação dos fabricantes de substrato desde o início do processo, e não em etapas posteriores como ocorria em gerações anteriores.
Os desafios da DDR6
Em velocidades mais altas, manter a integridade do sinal e a eficiência energética se torna muito mais difícil. O substrato, material sobre o qual os chips de memória são montados, precisa ser projetado com tolerâncias extremamente precisas para evitar perda de dados e consumo excessivo de energia. As três fabricantes estão trabalhando em conjunto com esses fornecedores para resolver os gargalos antes que a especificação seja finalizada.
A JEDEC, entidade responsável por padronizar as especificações de memória, ainda não finalizou o padrão DDR6. Um rascunho foi divulgado no final de 2024, mas detalhes importantes como espessura, número de portas de entrada e saída e padrões de sinal ainda estão em discussão. A produção em massa não é esperada antes de 2028 ou 2029, e depende também de uma demanda mais clara por parte dos clientes finais.
Parte da pressa em desenvolver a DDR6 vem do mercado de servidores de inteligência artificial, que exige cada vez mais largura de banda e capacidade de processamento. A DDR4, presente desde 2014, já está em retração e pode ser descontinuada nos próximos anos. A DDR5 agora responde por mais de 80% das remessas de DRAM para servidores, enquanto a DDR4 caiu para menos de 20%.
O preço será um fator determinante na adoção da DDR6. A própria demanda por IA já elevou significativamente os custos das memórias, e a nova geração chegará com um sobrepreço considerável. Pesquisas do setor indicam uma possível estabilização dos custos de RAM e armazenamento a partir de 2027, o que pode preparar o terreno para que a DDR6 chegue ao mercado em condições um pouco mais favoráveis ao consumidor.




