Corrida para HDD de 100 TB: As apostas de Seagate, Toshiba e WD
Fabricantes de HDDs traçam caminhos divergentes para alcançar capacidades extremas. Enquanto a Seagate já entrega HDDs de 44 TB com HAMR, Toshiba e Western Digital esticam suas plataformas atuais antes da transição definitiva.

Apenas três empresas no mundo ainda fabricam HDDs: Seagate, Toshiba e Western Digital. Apesar de compartilharem fornecedores e motores, cada uma adotou um caminho tecnológico diferente para empurrar a capacidade dos HDDs para a casa dos 100 TB até o início da próxima década. A Seagate está com o pé no acelerador com a gravação magnética assistida por calor, a Toshiba segue um passo a passo mais cauteloso com micro-ondas, e a Western Digital aposta em uma estratégia híbrida que mantém vivo seu ePMR enquanto introduz o HAMR gradualmente.
Como a Seagate usa HAMR para liderar em HDDs de alta capacidade?
A Seagate apostou tudo na gravação magnética assistida por calor, ou HAMR, uma tecnologia que usa um laser minúsculo para aquecer instantaneamente pontos da superfície do disco do HDD e permitir a escrita em materiais magneticamente muito mais estáveis. Depois de uma década de protótipos e atrasos, a empresa domou o HAMR em 2024 com a plataforma Mozaic 3+ e agora já envia HDDs de 44 TB baseados na plataforma Mozaic 4 para clientes selecionados de nuvem.
O roteiro da Seagate para HDDs prevê a qualificação de unidades de 50 TB no final de 2027, com HDDs de 60 TB entre 2029 e 2030 e mais de 80 TB em 2031. A barreira dos 100 TB deve ser rompida com a adoção de uma liga magnética ordenada de ferro e platina, mais estável do que os materiais usados atualmente. A empresa também trabalha em HDDs com múltiplos atuadores para dobrar o desempenho de leitura e gravação por terabyte, mantendo a qualidade de serviço em data centers cada vez mais densos.
A abordagem conservadora da Toshiba e a aposta híbrida da WD em HDDs
A Toshiba, menor das três, segue um roteiro para HDDs que minimiza riscos. Sua plataforma atual de HDDs usa FC-MAMR, uma variação da gravação assistida por micro-ondas, e entrega HDDs de 28 TB com gravação convencional. Versões com gravação shingled, que empilha trilhas como telhas para ganhar densidade, chegam a 34 TB. A próxima meta é alcançar HDDs de cerca de 40 TB por volta de 2027, antes de começar a transição para o HAMR. Os primeiros HDDs HAMR da Toshiba, previstos para 2026 e 2027, serão veículos de teste para clientes específicos, e não produtos de alto volume.

A Western Digital escolheu o caminho mais cauteloso para seus HDDs. Ela vai continuar fabricando HDDs baseados em ePMR, sua tecnologia de gravação perpendicular assistida por energia, até a faixa de 60 TB, enquanto introduz o HAMR de forma gradual. Neste ano, os primeiros HDDs de 40 TB da WD usam ePMR com gravação shingled e 11 pratos de alumínio. Os primeiros HDDs HAMR de 40 TB e 44 TB entram em produção em volume por volta de 2027, usando substrato de vidro e lasers. Depois dos 60 TB, o roteiro de HDDs da WD se torna agressivamente HAMR, com a meta de 100 TB entre 2029 e 2030, sustentada por arquiteturas de 14 pratos.
Além da corrida por terabytes, Seagate e WD estão redesenhando o desempenho dos HDDs. A Seagate já oferece HDDs com dois atuadores independentes, que dobram as operações de entrada e saída por segundo, e planeja aumentar esse número. A WD prepara HDDs de alto desempenho com múltiplas cabeças de leitura e atuadores de pivô duplo no laboratório, previstos para 2028, enquanto desenvolve HDDs otimizados para consumo de energia, voltados para arquivos frios que precisam ficar acessíveis sem pesar na conta de luz de data centers. Esses HDDs devem cortar o consumo em cerca de 20% e competir diretamente com SSDs QLC de alta capacidade a partir de 2027.




