China afirma ter o supercomputador mais rápido do mundo
Sistema LineShine ultrapassa a barreira de 2.000 exaflops e é 20% mais rápido que o El Capitan, do Departamento de Energia dos EUA. A máquina utiliza 45 mil processadores LX2, sem qualquer GPU, e consome 42,2 MW de energia.

A China retomou o posto de país com o supercomputador mais rápido do mundo, que não ocupava desde 2018. O sistema LineShine, desenvolvido com tecnologia inteiramente nacional, ultrapassou o El Capitan, do Departamento de Energia dos Estados Unidos, no topo da lista TOP500 de junho de 2026. A conquista ocorre apesar das restrições comerciais impostas pelo governo americano, que limitam a venda de componentes de alto desempenho para a China.
LineShine atinge 2.000 exaflops sem usar GPUs
O LineShine é o primeiro supercomputador a ultrapassar a barreira de 2.000 exaflops de desempenho. O sistema é 20% mais rápido que o El Capitan, que ocupa a segunda posição. O feito é ainda mais notável por uma razão técnica: o LineShine não utiliza GPUs, que são a espinha dorsal da maioria dos supercomputadores modernos. Em vez de aceleradores gráficos, a máquina emprega cerca de 45 mil processadores LX2. Cada chip tem 304 núcleos rodando a 1,55 GHz. Os processadores são conectados por uma rede de baixa latência e alta velocidade chamada LingQi, desenvolvida especificamente para o projeto.
Eficiência energética é o ponto fraco do LineShine
O LineShine tem um custo energético elevado. O sistema consome 42,2 megawatts de potência, um valor dramaticamente superior aos 29,7 megawatts do El Capitan. A diferença indica que o supercomputador chinês é significativamente menos eficiente que seu rival americano.

A conquista do LineShine vai além do orgulho tecnológico. O governo chinês utiliza o recorde como uma resposta direta às tentativas dos EUA de limitar seu acesso a chips avançados de empresas como a NVIDIA. A China contornou as restrições construindo um sistema baseado em CPUs de uso geral e mais amplamente disponíveis, em vez de depender de GPUs de ponta sujeitas a embargo. O TOP500 de junho de 2026 ainda é dominado por máquinas americanas, que ocupam três das cinco primeiras posições. No topo, no entanto, está o LineShine.
LineShine é permitido para o público?
O LineShine é um sistema de pesquisa e não está disponível para uso comercial. A China não divulgou planos de exportar a tecnologia ou de disponibilizar o supercomputador para instituições estrangeiras. O desenvolvimento do LineShine reflete a estratégia de longo prazo da China para alcançar autossuficiência em tecnologia de ponta, reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros em um setor considerado estratégico para a segurança nacional.




