Mobilidade

Reset testa painel digital Ghost Dashboard e continua projeto do Chevette elétrico

Equipe testa o painel de instrumentos digital que substituirá o quadro original e refaz a estrutura de distribuição de energia no porta-malas.

O projeto do Chevette elétrico entrou em uma fase de refinamento eletrônico e estrutural. Com a BMS ainda em trânsito e a parametrização do inversor pendente, a equipe concentrou os esforços em duas frentes: a validação do painel digital Ghost Dashboard e a instalação definitiva da caixa de distribuição de alta tensão no porta-malas. O episódio também contou com a visita de criadores do canal Rota da Invenção, o que gerou discussões sobre potência, câmbio e o futuro da legalização do veículo.

Painel digital com visual customizável do Chevette elétrico

O Ghost Dashboard é um painel de instrumentos digital compatível com qualquer veículo. No caso do Chevette, a instalação será simplificada graças à central Fiotec FT 450, que possui comunicação CAN. Bastam dois fios para dados e dois para alimentação. Em carros sem o protocolo, o mesmo painel funciona com ligações analógicas individuais para cada sensor, por meio de chicote incluso no kit.

No primeiro teste de bancada, o Ghost respondeu corretamente, conectou-se ao aplicativo de configuração via Bluetooth e exibiu o modo de demonstração. O software permite trocar templates, alterar cores, ajustar unidades de medida e personalizar as informações exibidas. Como o Chevette não terá medidor de combustível, lambda ou MAP, esses campos serão substituídos por dados como tensão da bateria de alta tensão e corrente de descarga. A instalação final usará uma moldura impressa em 3D para encaixar o painel atrás do quadro original do Chevette, preservando a aparência externa do carro.

Caixa de alta tensão refeita

O segundo grande avanço foi a instalação da caixa de distribuição de alta tensão, peça reaproveitada do Dong Feng que concentrará a entrada de energia das baterias da Volvo e a ramificação para o inversor, o carregador de bordo e o conversor DCDC.

A primeira tentativa de fixação consumiu horas e terminou com um suporte considerado inadequado pela própria equipe. A estrutura ficou desalinhada, os conectores laterais batiam na lataria e o acabamento foi classificado como insatisfatório. No dia seguinte, um sábado à noite, a equipe voltou à oficina e refez todo o trabalho. A nova abordagem removeu a travessa da carroceria que bloqueava o encaixe e resultou em um suporte quadrado, alinhado e removível, que permite manutenção sem desmontar as baterias.

Ainda resta um ajuste no conector inferior, que exige um calço para liberar espaço, mas a estrutura base está aprovada. Os cabos utilizados foram reaproveitados do próprio Dong Feng, economizando material e conectores originais difíceis de encontrar.

Motor, câmbio e legalização do Chevette elétrico

Durante a visita ao projeto, os criadores do Rota da Invenção discutiram aspectos técnicos do conjunto motriz. O motor da Veg é o maior da linha de eletrificação veicular da empresa, com cerca de 130 kW de potência. O controle pode ser feito diretamente via CAN, mas a equipe manteve a central Fiotec FT 450 para ter mais precisão na entrega de potência e integração com os demais sistemas.

O câmbio manual do Chevette foi mantido. A principal dúvida é se as engrenagens helicoidais suportarão o torque do motor elétrico ou se o pneu será o primeiro a patinar. A possibilidade de remover o câmbio e fazer a ré eletrônica, invertendo o sentido de rotação do motor, foi discutida, mas exigiria engrenagens de dentes retos forjados no diferencial.

A legalização do veículo como protótipo também foi mencionada. A legislação varia ano a ano, e a dificuldade de emplacar um carro elétrico artesanal no Brasil é real. A placa de identificação do motor é apenas um dos obstáculos.

Próximos passos do Reset com o Chevette elétrico

Com a caixa de alta tensão posicionada, a equipe agora precisa finalizar os calços de alinhamento, prender definitivamente o conjunto e fazer as conexões internas. A chegada da BMS e a parametrização da Fiotec com o inversor são os próximos gargalos técnicos antes do primeiro teste de rodagem. O Letra J, criador de conteúdo que acompanha o projeto, prometeu uma visita para ajudar na configuração eletrônica assim que sua reforma residencial permitir.

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