Próxima geração de GPUs gaming da AMD deve chegar só entre 2027 e 2028
Arquitetura RDNA 5 da linha Radeon RX 9000 é adiada por escassez global de memórias e priorização da indústria em hardware de inteligência artificial.

Os entusiastas que aguardam a próxima geração de placas de vídeo gaming da AMD terão de esperar mais do que o planejado. A arquitetura RDNA 5, que sucederá a atual linha Radeon RX 9000, deve chegar ao mercado apenas no terceiro trimestre de 2027, com possibilidade de deslizar para o início de 2028. O motivo principal é a contínua crise de abastecimento de componentes de memória, agravada pela concentração da produção em hardware voltado à inteligência artificial.
A informação é consenso entre parceiros da fabricante ouvidos durante a Computex 2026, realizada no início de junho em Taipei. Enquanto alguns parceiros apostam em um lançamento no segundo semestre de 2027, outros consideram a previsão otimista demais e apontam o fim de 2027 ou o início de 2028 como datas mais realistas.
Escassez de memória e foco em IA emperram o cronograma
O principal fator por trás do atraso é a crise global na produção de memórias, que afeta diretamente a cadeia de suprimentos de GPUs. As maiores fabricantes de chips de memória do mundo — Samsung, SK hynix e Micron — devem atender apenas 60% da demanda global por componentes DRAM e NAND até o final de 2027. O problema não é novo, mas a priorização da indústria em atender ao mercado de inteligência artificial aprofundou o descompasso entre oferta e procura.
Com a demanda por hardware de IA crescendo exponencialmente, a produção de chips de memória de alto desempenho foi realocada para atender a esse segmento. O resultado é uma escassez prolongada de componentes essenciais para placas de vídeo gaming, o que impacta não apenas os custos de produção, mas também a capacidade das fabricantes de lançar novos produtos em ciclos regulares.
A situação deve persistir pelo menos até o biênio 2028-2029, segundo analistas do setor. O descompasso entre a demanda real e a capacidade de produção das memórias criou um gargalo que afeta toda a indústria de PCs, especialmente o segmento de GPUs de alto desempenho.
RDNA 4 ainda tem fôlego
Enquanto a RDNA 5 não chega, a AMD continuará apostando na arquitetura atual. A linha Radeon RX 9000, baseada em RDNA 4, foi lançada no ano passado e recebeu recentemente a adição da Radeon RX 9070 GRE, voltada ao público que joga em resolução 1440p. A estratégia da fabricante é manter a plataforma atual relevante durante o longo intervalo até a próxima geração.
A situação da AMD não é isolada. A NVIDIA também enfrenta desafios semelhantes. A linha RTX 50 completa um ano e meio de mercado, e a próxima arquitetura Rubin, esperada para 2027, segue sem confirmações oficiais da fabricante. O ciclo de renovação das GPUs gaming, historicamente marcado por lançamentos a cada 18 a 24 meses, foi alongado pelas circunstâncias atuais do mercado.
O que esperar da RDNA 5
Embora detalhes técnicos conclusivos ainda não tenham sido divulgados oficialmente, a AMD já trabalha na arquitetura em nível de código. Identificadores da nova geração, chamados internamente de GFX13, apareceram recentemente em bases de código do kernel Linux, confirmando que o desenvolvimento está em andamento. A expectativa da indústria é que a RDNA 5 seja fabricada em processo litográfico mais avançado e traga ganhos significativos de eficiência energética e desempenho bruto.
Para o consumidor brasileiro, o cenário é duplamente desafiador. A escassez global de memórias já pressiona os preços das GPUs atuais para cima, e o longo intervalo sem novas gerações tende a manter os valores elevados por mais tempo. Não há ainda nenhuma previsão de disponibilidade da linha RDNA 5 no país. O mercado brasileiro de componentes de alto desempenho costuma refletir os lançamentos globais com defasagem de alguns meses, o que coloca uma possível chegada das novas placas apenas em meados de 2028 ou ainda mais tarde.




