Mobilidade

Mercedes-Benz inicia produção em série de motor elétrico em Berlim e redefine padrões de potência

Motor compacto de alto desempenho estreia no Mercedes-AMG GT 4-Door Coupé totalmente elétrico. Tecnologia promete três vezes mais densidade de potência e dois terços do peso dos motores convencionais.

A Mercedes-Benz deu início à produção em larga escala de seu novo motor elétrico de fluxo axial na planta de Berlim-Marienfelde no dia 9 de junho de 2026. O componente de alta performance estreia no Mercedes-AMG GT 4-Door Coupé totalmente elétrico. A tecnologia é baseada em um protótipo desenvolvido pela YASA, empresa britânica especializada em motores de fluxo axial adquirida pela Mercedes-Benz em 2021. A fabricante posiciona a unidade de Marienfelde como um centro de competência global para motores elétricos de alto desempenho, unindo tradição industrial com inovação de ponta.

Motor entrega 860 kW e aceleração de 0 a 100 km/h em 2,1 segundos

O motor de fluxo axial difere dos motores radiais convencionais pela arquitetura. Enquanto nos motores radiais o fluxo magnético se move perpendicularmente ao eixo de rotação, nos motores de fluxo axial ele corre paralelo ao eixo. A estrutura tem formato de disco: dois rotores posicionam o estator em uma configuração de sanduíche. O design permite alta densidade de potência e torque com dimensões extremamente compactas. No Mercedes-AMG GT 4-Door Coupé, três motores de fluxo axial trabalham em conjunto. Um deles, montado no eixo dianteiro, tem menos de 9 cm de largura. Os dois motores do eixo traseiro medem cerca de 8 cm cada. O conjunto entrega potência total de 860 kW, o equivalente a 1.169 cavalos. O veículo acelera de 0 a 100 km/h em 2,1 segundos e atinge velocidade máxima de 300 km/h. A autonomia estimada no ciclo WLTP é de 696 km.

Fabricação do motor axial da Mercedes-Benz

Segundo a Mercedes-Benz, o motor de fluxo axial oferece três vezes mais densidade de potência que os motores radiais convencionais. O componente pesa dois terços a menos e ocupa apenas um terço do espaço de um motor tradicional. Na prática, a redução de peso e volume permite mais liberdade para o design do chassi e o empacotamento das baterias. Com componentes mais leves, a bateria trabalha com menos esforço para mover o veículo, o que se traduz em maior eficiência energética e menor consumo. A arquitetura mais compacta também melhora o centro de gravidade do carro e facilita a refrigeração dos componentes. A tecnologia é especialmente relevante para veículos de alta performance, nos quais cada quilograma e cada centímetro cúbico contam.

Produção do motor da Mercedes-Benz reúne 30 patentes e 35 processos inéditos

A fabricante descreve a produção como um dos projetos mais ambiciosos de sua história. O processo total compreende 98 etapas de manufatura. Desse total, 65 processos são utilizados pela primeira vez pela Mercedes-Benz. Outros 35 processos são inteiramente novos para a indústria automotiva global. O esforço de desenvolvimento gerou mais de 30 pedidos de patente. A produção ocupa cerca de 30 mil metros quadrados distribuídos em três pavilhões e sete linhas de montagem. A Mercedes-Benz combina sistemas automatizados de alta precisão, tecnologia a laser, controles inteligentes e inspeção de qualidade por inteligência artificial. A mão de obra especializada completa o quadro, garantindo a integração entre inovação tecnológica e experiência humana.

A produção em escala industrial do motor de fluxo axial exigiu soluções inéditas. Um dos desafios está na fabricação das bobinas do estator. A Mercedes-Benz utiliza fios de cobre de seção retangular, em vez do fio redondo tradicional. A forma geométrica permite acomodar mais cobre no mesmo espaço, aumentando a densidade de potência. O problema é que curvar o fio retangular em alta velocidade sem danificar o isolamento ou comprometer a condutividade exigiu o desenvolvimento de métodos de fabricação inteiramente novos.

Outro gargalo está na conexão dos pacotes de bobinas dentro do estator. O espaço extremamente reduzido impediu o uso de técnicas convencionais de soldagem. A Mercedes-Benz desenvolveu então um processo baseado em laser de alta precisão que une os condutores de cobre enquanto minimiza a transferência de calor para os componentes vizinhos. O resultado é maior velocidade de produção, confiabilidade aprimorada e qualidade superior do produto final.

A planta de Berlim-Marienfelde foi fundada em 1902 e é a unidade de produção mais antiga da Mercedes-Benz ainda em operação. A fábrica fez parte da rede global de produção de motores de combustão da montadora por décadas. Desde 2022, o local abriga o Mercedes-Benz Digital Factory Campus. Agora, com o início da produção dos motores de fluxo axial, a planta se reposiciona como centro de competência global para motores elétricos de alto desempenho. A transição é um símbolo da transformação industrial alemã em direção à eletromobilidade, mantendo empregos qualificados e expertise técnica no país.

O Mercedes-AMG GT 4-Door Coupé com os novos motores de fluxo axial já está disponível para encomenda em sete países europeus. A Mercedes-Benz Brasil não confirmou se o modelo será comercializado no país. No mercado nacional, veículos de alto desempenho da marca chegam com atraso típico de 12 a 18 meses em relação ao lançamento europeu. A expectativa é que o novo GT chegue ao Brasil apenas em 2028. A produção dos motores em Berlim não tem impacto direto no mercado brasileiro, já que a Mercedes-Benz não possui fábrica de componentes eletrificados no país.

Fonte
Eletric Car Reports

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