Andou! Reset e Eforce fazem Chevette Elétrico dar sua primeira volta
O primeiro rolê improvisado contou com a ajuda de Thiago da MEV, da Eforce e do Letra Jota. O carro rodou com a bateria descarregada e os bancos improvisados.

O Chevette Elétrico finalmente andou. A equipe do Reset, em parceria com a Eforce, conseguiu tirar o carro do cavalete e dar os primeiros metros de um rolê histórico, mesmo com a bateria descarregada e o carro ainda em fase de testes. O feito coroa uma saga que começou há meses com problemas no encoder, inversor, comunicação CAN e até um cabo serial defeituoso. A ajuda externa veio de onde menos se esperava. O concorrente ajudou. O protagonista do dia foi Thiago, da MEV, uma empresa que desenvolve motores e inversores para veículos elétricos e concorre diretamente com a WEG.
Ajuda externa: Thiago da MEV descomplica
A equipe do Reset já havia tentado de tudo para fazer o motor girar. O encoder era o principal suspeito. O erro 67, registrado no manual da WEG, indicava problema na leitura do sensor. A equipe testou o encoder com osciloscópio e confirmou que os fios estavam funcionando. O problema parecia estar na comunicação entre o inversor e a central FTec. A dificuldade, no entanto, persistia. O código tinha mais de 1000 parâmetros, cada um com valores que variavam entre centenas de opções. Nenhum manual explicava como configurá-los para aquele motor específico.
Thiago, da MEV, entrou em cena com uma abordagem diferente. Em vez de tentar resolver o problema pela FTec, ele sugeriu isolar o inversor. A ideia era validar o funcionamento do motor diretamente pelo software WLP, da própria WEG, sem a central FTec. “Primeiro a gente tem que validar que o motor tá girando, depois a gente põe a FTec no meio do caminho”, explicou Thiago. Com o suporte remoto, ele enviou novos parâmetros e ajustou a configuração para o motor do Chevette. A tarefa consumiu mais de duas horas de calibração. O motor finalmente girou, mas ainda com ruídos e instabilidade. O problema estava nos fios do encoder, que estavam invertidos.
O problema do freio do chevette elétrico
A primeira tentativa de acelerar o Chevette com a FTec foi frustrante. O motor girava, mas não respondia ao pedal. A comunicação CAN entre FTec e inversor funcionava, mas o sistema simplesmente ignorava o comando de aceleração. A equipe gravou logs de dados e enviou para o Diego, da FTec, que passou dias estudando o problema. A resposta veio na sexta-feira seguinte. Um sinal de freio estava ativado permanentemente. O mapa da FTec interpretava um sinal de 5 V em uma entrada como pressão de freio de 1500 PSI, o que bloqueava o torque do motor. “Tava com o freio acionado”, resumiu Gustavo. A correção foi simples: ajustar a tabela de leitura do sensor para 0 V. Após a mudança, o motor respondeu imediatamente ao acelerador.
Primeira acelerada e rolê improvisado
Com o carro funcionando, a equipe decidiu fazer um teste rápido. O carro ainda não tinha bancos, cintos, faróis ou BMS. A bateria estava abaixo dos 340 V, um patamar muito baixo para uso prolongado. O primeiro rolê foi um verdadeiro teste de fogo. O pai de Gustavo foi convidado a acelerar. Ele ficou impressionado com a força do motor, mesmo com o carro capado a apenas 10% da potência. O silêncio do motor elétrico e a suavidade da aceleração surpreenderam quem estava presente. “Tá mais forte que o 1.6 original”, comentou um dos participantes. O carro rodou cerca de 50 metros, subiu uma ladeira e voltou. A bateria caiu para 306 V, e o inversor cortou a corrente para proteger o sistema. A equipe precisou engatar a ré e manobrar o carro de volta para a garagem.
Mais tarde, a equipe carregou a bateria e testou o carro novamente na rua. O Letra Jota chegou durante os preparativos. O carro já contava com um banco improvisado e uma chave liga-desliga para ativar o inversor. O freio ainda não tinha hidrovácuo. A primeira tentativa de sair da garagem foi complicada. O carro raspou no quebra-mola e a traseira bateu no chão. O grupo empurrou o carro para fora. A primeira acelerada na rua mostrou o potencial do projeto. O motor respondeu com força, e o carro desenvolveu velocidade em terceira marcha com apenas 10% do pedal. O silêncio do motor contrastava com a lata descascada e os bancos improvisados. A bateria caiu rapidamente, e o carro voltou para a garagem antes de completar um quarteirão inteiro. “Foi só um rolê de teste, mas foi histórico”, resumiu Gustavo.
Próximos passos e a reação do Letra Jota
O Chevette voltou para a garagem depois de sua primeira volta na rua, ainda com os problemas de sempre. A bateria precisa ser recarregada, o freio não tem hidrovácuo, e os bancos estão improvisados. O grupo já planeja a segunda fase. A equipe precisa instalar o sistema de freio elétrico, colocar os bancos definitivos e testar a carga da bateria. O próximo objetivo é fazer o carro rodar de forma segura, com freio eficiente e um sistema de pré-carga automático.
A reação do Letra Jota foi de surpresa e frustração. Ele perdeu o primeiro rolê por estar consertando a moto elétrica. A moto explodiu depois que um parafuso caiu no barramento de alta tensão. Letra Jota chegou no final do teste, mas ainda conseguiu dar uma volta. Ele ficou impressionado com a força do motor e a suavidade da aceleração. A reação foi clara. O Chevette elétrico finalmente andou, e o projeto agora entra em uma nova fase. A equipe do Reset e da Eforce celebram a vitória, mas sabem que ainda há muito trabalho pela frente.



